🚀 Promoção e Defesa dos Direitos Humanos e Diversidades
PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO E SUAS REPRESENTAÇÕES NA MÍDIA
"Mudar é difícil, mas é possível." - Paulo Freire
1. O Desafio da Representação no Ecossistema Midiático
O ambiente escolar e seus profissionais estão constantemente sujeitos a representações midiáticas que, muitas vezes, são parciais, distorcidas, simplistas ou enviesadas. À escola são atribuídas diversas responsabilidades, gerando grandes expectativas sobre seu papel. O ecossistema comunicacional atual é complexo, marcado pela ampliação de fenômenos como "desordens informativas", o fechamento em "bolhas informativas" e a "intolerância". Diante disso, torna-se crucial analisar a imagem construída e transmitida sobre a escola para que os educadores possam atuar de forma mais consciente e oferecer contrapontos ou alternativas quando necessário.
A abordagem midiática frequentemente retira as camadas e interseccionalidades de situações complexas, oferecendo respostas simples para questões que tendem a ser multifacetadas.
2. Representações Sociais, Estereótipos e Desvalorização
O conceito de Representação Social (Denise Jodelet) define um conhecimento socialmente elaborado e partilhado, que colabora na construção de uma realidade comum. Essa representação não é neutra. Enquanto a escola já foi símbolo inquestionável de saber, hoje, observa-se um movimento de desconstrução e desqualificação desses atores por alguns segmentos da sociedade.
Os Estereótipos são o cerne desse processo , reduzindo a complexidade a uma descrição simplificada e generalizante. Eles servem à manutenção de relações de poder e desigualdade. Quando a mídia foca em crises, o professor é enquadrado como "mal preparado" ou "culpado" - um verdadeiro "bode expiatório" para falhas estruturais. O resultado é uma imagem profundamente pessimista da escola pública.
3. O Caminho da Ação Propositiva e da Educação Midiática
A escola deve assumir uma posição de protagonismo, ancorando sua comunicação nos princípios dos Direitos Fundamentais, Diversidades, Democracia e Cidadania. A Educação Midiática é a ferramenta essencial para essa transformação.
Principais Ações Práticas:
- Comunicação Assertiva: Formar porta-vozes e utilizar técnicas de media training para diálogo eficaz com a imprensa.
- Agenda Positiva: Dar visibilidade a projetos bem-sucedidos e soluções criativas, mostrando como a escola lida com seus problemas e constrói seu cotidiano, e não apenas os problemas.
- Produção Midiática Própria: Criar um ecossistema comunicativo interno (ex: agência de notícias escolar) para produzir uma percepção "de dentro do lugar".
- Cultura de Paz: Criar espaços de escuta, promover o olhar empático e incentivar o reconhecimento da diversidade como valor positivo.
4. A Jornada do Pensamento Crítico (Os Três Movimentos de Silva)
A análise crítica do conteúdo deve seguir a jornada de Juremir Machado da Silva:
- ESTRANHAMENTO: Mobilizar a inquietação e as dúvidas sobre o tema e a realidade cotidiana.
- ENTRANHAMENTO: Mergulho e imersão nas referências, exemplos e leituras críticas[cite: 1688].
- DESENTRANHAMENTO: Emergência com novos olhares, materializados em intervenções práticas, projetos pedagógicos ou registros criativos.
O Espelho Distorcido da Mídia: A Urgência da Educomunicação na Escola Protagonista
Esse trabalho expõe um desafio crucial no campo da Educação em Direitos Humanos: a forma como a mídia, em seu sentido mais amplo (da imprensa tradicional às redes sociais), constrói e propaga representações sociais enviesadas sobre a escola e seus profissionais. Este não é um problema superficial; é um fenômeno que contribui ativamente para a desvalorização sistêmica da instituição educativa.
Historicamente, a figura do professor e da escola gozavam de um status inquestionável de saber. No entanto, o texto aponta para um movimento contemporâneo de desconstrução e desqualificação, alimentado pela lógica do espetáculo midiático. O foco é recorrentemente desviado para a crise, o conflito e o sensacionalismo. Casos complexos são reduzidos a narrativas simplistas, retirando as camadas de interseccionalidade e contexto. Avaliações negativas, como IDEB e PISA, são ostensivamente divulgadas, enquanto projetos bem-sucedidos e soluções criativas são relegados ao silêncio.
O mecanismo central dessa distorção é o estereótipo. Conforme Freire Filho, os estereótipos funcionam para organizar sentidos, mas, em essência, são ferramentas que dificultam o pensamento flexível e servem à manutenção das relações de poder e desigualdade. Ao serem enquadrados pela linguagem midiática como "mal preparados", "culpados" ou "excluídos", os educadores são transformados em bodes expiatórios para falhas que são estruturais, não individuais. Essa edição enviesada da realidade consolida um imaginário social de pessimismo e desconfiança em relação à escola pública.
Diante deste "espelho distorcido", o caminho proposto é a ação protagonista da escola. O princípio de Paulo Freire — "mudar é difícil, mas é possível" — atua como o motor dessa transformação. A escola, por ser alvo, é um ator social relevante, e seu posicionamento deve ser ancorado nos pilares dos Direitos Fundamentais, da Democracia e da Cidadania.
A ferramenta estratégica para essa mudança é a Educação Midiática. Sua aplicação não se limita a palestras sobre fake news, mas a um engajamento ativo na produção e circulação de conteúdo. O texto sugere a urgência de configurar um ecossistema comunicativo interno, treinando professores (media training) para serem porta-vozes eficazes e, mais crucialmente, transformando alunos em produtores críticos de mídia. A criação de agências de notícias ou jornais escolares permite que a escola conte sua própria história, a partir da perspectiva de quem vive e dá vida àquele ambiente, gerando uma percepção "de dentro do lugar".
Em última análise, o curso propõe uma jornada de pensamento crítico pautada nos movimentos de Juremir Machado da Silva: o Estranhamento (questionar a realidade), o Entranhamento (imersão profunda no tema) e o Desentranhamento (emergir com novos olhares e intervir na prática). A superação da imagem estereotipada exige que a escola não apenas reflita, mas que *aja* comunicativamente, tornando-se um centro ativo de produção de sentido, capaz de promover a cultura de paz, a diversidade e, sobretudo, fortalecer a confiança pública em seu papel emancipador.

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